segunda-feira, 2 de julho de 2007

"SOB O MANTO DIÁFANO DA FANTASIA A NUDEZ CRUA DA VERDADE"











Ao chamamento da CAPITAL,onde pululam as velhas e NOVAS OPORTUNIDADES, acorrem dos mais recônditos lugares doportugalprofundo os "apátridas"do costume. Fazem pela vida!
Substituíram-se à gesta de quinhentos. Não vêm à procura de pimenta, sedas ou ouro. Mas trazem o odre pleno de filiações partidárias, recomendações e participações em comunhões de fé e depois, é vê-los impantes e supostamente bem falantes a prometerem um mundo novo . Para tão desmesurada desfaçatez só me ocorre citar António Aleixo:


Vem da serra um infeliz

vender sêmea por farinha;

passado tempo já diz:

- esta rua é toda minha.


Tu não tens valor nenhum,

andas debaixo dos pés,

até que apareça algum

doutor que nos diga quem és.


Se fazes tudo às avessas,

Para que prometes tanto?

Não me faças mais promessas,

bem sabes que não sou santo.



Lembram-se daqueloutro que da Província entende ser feita a captura das boas consciências?




Dizia Aleixo:





Deixam-me sempre confuso

as tuas palavras boas,

por não te ver fazer uso

dessa moral que apregoas.


Não és, mas queres parecer

um santinho no altar;

mostras ao mundo,sem querer,

o que pretendes tapar.


Co'o mundo pouco te importas

porque julgas ver direito.

Como há-de ver coisas tortas

quem só vê em seu proveito?


Inteligências há poucas.

Quase sempre as violências

nascem das cabeças ocas,

por medo às inteligências.


Poisa sobre qualquer coisa

um parasita, a brincar;

se o não matam, quando poisa,

já pode ele então matar.


O rato mete o focinho

sem pensar que faz asneira;

depois, ou larga o toucinho,

ou fica na ratoeira.


Fazem a mesma figura

homens que vestem bons fatos;

quando lhes cheira a gordura,

caem também como os ratos.


A vida na grande terra

corrompe a humanidade.

Entre a cidade e a serra

prefiro a serra à cidade


Os novos que se envaidecem

p'lo muito que querem ser

são frutos bons que apodrecem

mal começam a nascer.

Ainda não reparaste

que és tal qual um cão na palha?

Tu, que nunca trabalhaste,

censuras quem não trabalha!


Mas que inteligência rara!

E julgas-te uma competência!

Nem sei como tu tens cara

p'ra ter tanta inteligência!

Voltarei mais tarde com Aleixo ou outros que os saibam descrever melhor do que eu.

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