Porque me foi dada a mercê de ver como se movimentam as CENTRÚRIDAS e quiçá compreender o que nos impingem no seu blá-blá bafiento os educadores do costume, eis-me finalmente realizado por entender o que é o CENTRÃO!
Aos Tugas , educados para a aceitação da desdita, humildade de raciocínio e uso e abuso dos brandos costumes só uma doutrina que os fizesse abdicar da sua condição de homens livres estaria destinada ao sucesso eleitoral. Se apenas uma CENTRÚRIDA tomasse para si a excelsa tarefa, fácilmente se transformaria em partido único o que, à luz da tão apregoada democracia paralamentar não seria de bom tom. Assim, para a resolução de tal desiderato, alguém se lembrou de baptizar com nomes diferentes uma mesma solução(em termos informáticos tal nunca viria acontecer, uma vez que sempre que pretendemos guardar um ficheiro, é-nos perguntado se pretendemos substituir um já existente) desta feita chegamos ao CENTRÃO. Nós, os periféricos, sentimo-nos sós, de tal forma que me ocorre trazer à memória aquele que já no século XIX antecipava as malfeitorias do CENTRÃO:
CENTRÚRIDAS, s.m. pl.(lat.cient. centruridae. Família de Escorpiões.
Em certo Reino, à esquina do Planeta,
Onde nasceram meus Avós, meus Pais,
Há quatro lustros, viu a luz um poeta
Que melhor fora não a ver jamais.
Mal despontava para a vida inquieta,
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,
À falsa fé, numa traição abjecta,
Como os bandidos nas estradas reais!
E,embora eu seja um descendente, um ramo
Dessa àrvore de Heróis que, entre perigos
E guerras, se esforçaram pelo Ideal:
Nada me importas, País! seja meu Amo
O Carlos ou o Zé da T'resa... Amigos,
Que desgraça nascer em Portugal!
Do Livro SÓ
António Nobre
1889

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