domingo, 9 de dezembro de 2007

PARA REFLECTIR

"JÁ CALCULARAM O NÚMERO DE INDIVÍDUOS QUE É FORÇOSO CONDENAR À MISÉRIA, AO TRABALHO, À DESMORALIZAÇÃO, À INFÂMIA (...) À DESGRAÇA, À PENÚRIA, PARA PRODUZIR UM RICO ?"

Almeida Garret ( 1799 - 1854 ), escritor e político portuense

terça-feira, 9 de outubro de 2007

OS ELÉCTRICOS DO MEU CONTENTAMENTO






No imo dos anos sessenta,na exuberância dos meus vinte anos, prenhe de sonhos e expectativas, buscando auroras de felicidade em cada manhã, quantas vezes dei por mim viajando no "vadio" a caminho de casa, concluída que foi a aventura desenhada para aquele dia ou noite.

"VADIO", nome usado para identificar o derradeiro eléctrico que nesta ou naquela linha dava por finda a missão de transportar as gentes desta cidade.
Foi viajando de ELÉCTRICO que cresci. Concluída com sucesso a 4ª Classe aos dez anos, seguiu-se a recompensa esperada. Passados oito dias fui trabalhar.Numa oficina de sapateiro, num atelier de Alfaiataria, num escritório de Advogado eu sei lá!Vida dura, alegre e sã, sem traumas ou sentimentos de ausência de meninice.

Com tal idade que tarefas poderia eu desempenhar? Fazer recados, isto é, levantar encomenda aqui, fazer entrega ali, pequenas compras etc.. Numa cidade grande como conseguir vencer as distâncias e encurtar os tempos? Viajar de ELÉCTRICO.

No 1 , 5 , 16 ,18 e 19 para Matosinhos, no 2 e 17 para a Foz, no 3 para Pereiró, no 4 para Lordelo , no 6 para o Monte dos Burgos, no 7 para o Amial, no 8 para Paranhos, no 9 para Ermesinde, no 10 para Rio Tinto, no 11 para Campanhã, no 12 para Gondomar, no 13 para Santo Ovídio, no 14 para Coimbrões, no 15 para Silva Tapada, no 20 e 21 para a Constituição. Conhecia-os como ninguém.

Viajava muitas vezes junto do Guarda-Freio. Que prazer sentia quando de Alavanca nas mãos, descia , mudava a agulha e lhe corrigia o destino.

Como são determinantes no crescimento e formação do carácter estas vivências. Ainda me lembro dos vários códigos de conduta dos utentes. O cavalheiro que gentilmente cedia o seu lugar a uma senhora, a uma criança a um velho. O outro que garbosamente exibia de forma ostensiva a sua Assinatura Anual, abrindo de forma despudorada a luzidia carteira, produzida com o melhor calfe.

O Condutor (o Pica), que ora pedia para os senhores passageiros chegarem à frente, como a seguir de alicate em riste afastava um temerário pendura. E não esquecerei nunca a recomendação escrita nas partes superiores do interior do Eléctrico que rezava assim: " Senhor Passageiro se alguma janela aberta o incomoda peça ao Condutor que a feche"

Não me ocorre outro meio de transporte ou local na época que juntasse em tão pouco espaço, ricos, remediados, pobres, analfabetos, intelectuais, comerciantes, operários, polícias, soldados, carteiristas, padres e outros que não me ocorre citar. A tudo isto assisti. O recente regresso dos Eléctricos à Baixa remexeu o meu baú de memórias e a emoção fez o resto.








sexta-feira, 14 de setembro de 2007

MEMORANDUM






Quando a minha primeira descendência me ofertou um livro em branco no Natal de 99,dentre a conflitualidade das prendas, inevitávelmente situadas entre pijamas e "lingerie" masculina,dei por mim a pensar o que nele escrever.




MEMÓRIAS? EXPERIÊNCIAS?EMOÇÕES?


Vivendo cada dia como do primeiro se tratasse, já que não consigo antever como viverei o último, guardo das minhas memórias a relação com os meus Pais.


Do meu progenitor recebi ensinamentos de apego à cultura. Ler, Conhecer,desenvolver empatias com o que nos rodeia. Ter uma visão universalista dos Povos. Saber fruir e amar a cidade onde nasci.


Com ele aprendi a ter um ideal. A formar opinião e a bater-me por ela.


Tarefa hercúlea para quem vive rodeado de frenesim consumista, informação tablóide e manipulação. Aprendi assim a separar o trigo do joio. A considerar o conteúdo em detrimento da embalagem. "É por dentro das coisas que as coisas são!".




Satírico, Mordaz e de Humor inteligente recordo de meu pai o modo como sempre reagia à adversidade. Não sei se jogava aí esses atributos, ou se tal ousadia se devia ao facto de permanentemente ter convivido com ela. Eram velhos conhecidos.




Deixou-me como herança a maior de todas as riquezas. Não a tomei à data da sua morte. Foi-ma entregando aos poucos, passo a passo, desde a infância. Ensinou-me a usar as mãos para criar. Transformar matéria em objectos. Aos objectos conferir-lhes a forma. Ter satisfação até ao último gesto e descansar depois.




De tal jeito o fez que do conjunto das suas atitudes acabei eu por fazer profissão. Aquilo que meu Pai me foi dando, passei eu a "vender" ao longo da minha vida.




Como se nada disto bastasse tudo o resto veio de minha Mãe.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

"NO MEIO É QUE ESTÁ A VIRTUDE"



Porque me foi dada a mercê de ver como se movimentam as CENTRÚRIDAS e quiçá compreender o que nos impingem no seu blá-blá bafiento os educadores do costume, eis-me finalmente realizado por entender o que é o CENTRÃO!


Aos Tugas , educados para a aceitação da desdita, humildade de raciocínio e uso e abuso dos brandos costumes só uma doutrina que os fizesse abdicar da sua condição de homens livres estaria destinada ao sucesso eleitoral. Se apenas uma CENTRÚRIDA tomasse para si a excelsa tarefa, fácilmente se transformaria em partido único o que, à luz da tão apregoada democracia paralamentar não seria de bom tom. Assim, para a resolução de tal desiderato, alguém se lembrou de baptizar com nomes diferentes uma mesma solução(em termos informáticos tal nunca viria acontecer, uma vez que sempre que pretendemos guardar um ficheiro, é-nos perguntado se pretendemos substituir um já existente) desta feita chegamos ao CENTRÃO. Nós, os periféricos, sentimo-nos sós, de tal forma que me ocorre trazer à memória aquele que já no século XIX antecipava as malfeitorias do CENTRÃO:

CENTRÚRIDAS, s.m. pl.(lat.cient. centruridae. Família de Escorpiões.





Em certo Reino, à esquina do Planeta,


Onde nasceram meus Avós, meus Pais,


Há quatro lustros, viu a luz um poeta


Que melhor fora não a ver jamais.





Mal despontava para a vida inquieta,


Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,


À falsa fé, numa traição abjecta,


Como os bandidos nas estradas reais!





E,embora eu seja um descendente, um ramo


Dessa àrvore de Heróis que, entre perigos


E guerras, se esforçaram pelo Ideal:





Nada me importas, País! seja meu Amo


O Carlos ou o Zé da T'resa... Amigos,


Que desgraça nascer em Portugal!





Do Livro SÓ


António Nobre


1889

segunda-feira, 2 de julho de 2007

"SOB O MANTO DIÁFANO DA FANTASIA A NUDEZ CRUA DA VERDADE"











Ao chamamento da CAPITAL,onde pululam as velhas e NOVAS OPORTUNIDADES, acorrem dos mais recônditos lugares doportugalprofundo os "apátridas"do costume. Fazem pela vida!
Substituíram-se à gesta de quinhentos. Não vêm à procura de pimenta, sedas ou ouro. Mas trazem o odre pleno de filiações partidárias, recomendações e participações em comunhões de fé e depois, é vê-los impantes e supostamente bem falantes a prometerem um mundo novo . Para tão desmesurada desfaçatez só me ocorre citar António Aleixo:


Vem da serra um infeliz

vender sêmea por farinha;

passado tempo já diz:

- esta rua é toda minha.


Tu não tens valor nenhum,

andas debaixo dos pés,

até que apareça algum

doutor que nos diga quem és.


Se fazes tudo às avessas,

Para que prometes tanto?

Não me faças mais promessas,

bem sabes que não sou santo.



Lembram-se daqueloutro que da Província entende ser feita a captura das boas consciências?




Dizia Aleixo:





Deixam-me sempre confuso

as tuas palavras boas,

por não te ver fazer uso

dessa moral que apregoas.


Não és, mas queres parecer

um santinho no altar;

mostras ao mundo,sem querer,

o que pretendes tapar.


Co'o mundo pouco te importas

porque julgas ver direito.

Como há-de ver coisas tortas

quem só vê em seu proveito?


Inteligências há poucas.

Quase sempre as violências

nascem das cabeças ocas,

por medo às inteligências.


Poisa sobre qualquer coisa

um parasita, a brincar;

se o não matam, quando poisa,

já pode ele então matar.


O rato mete o focinho

sem pensar que faz asneira;

depois, ou larga o toucinho,

ou fica na ratoeira.


Fazem a mesma figura

homens que vestem bons fatos;

quando lhes cheira a gordura,

caem também como os ratos.


A vida na grande terra

corrompe a humanidade.

Entre a cidade e a serra

prefiro a serra à cidade


Os novos que se envaidecem

p'lo muito que querem ser

são frutos bons que apodrecem

mal começam a nascer.

Ainda não reparaste

que és tal qual um cão na palha?

Tu, que nunca trabalhaste,

censuras quem não trabalha!


Mas que inteligência rara!

E julgas-te uma competência!

Nem sei como tu tens cara

p'ra ter tanta inteligência!

Voltarei mais tarde com Aleixo ou outros que os saibam descrever melhor do que eu.

quarta-feira, 27 de junho de 2007


NÃO NASCI POR ACASO NESTAS PEDRAS


A Senhora que apresenta o Programa Prós e Contras achou por bem vir ao Porto antes de Férias. Vá lá saber-se porquê?
Reuniu algumas figuras públicas do Grande Porto para dizerem de sua justiça relativamente a matérias como:a importância do Porto no contexto do Noroeste Peninsular,o desemprego,a cultura, os efeitos do CENTRALISMO no desenvolvimento da Região Norte etc e para tal desiderato até convidou o Presidente da Câmara (?). Ocupadíssimo com o BALANCETE (Carlos Tê) imagine-se o desconforto dum tal Programa não fora o facto dos participantes optarem por intervenções(salvo mui raras excepções)dum CINZENTISMO atroz.Eu sempre achei que aquela "Renovação" da Avenida dos Aliados acabaria por produzir resultados. Muito correctos políticamente, pois no dia seguinte tinham que estar em Lisboa e podia ser uma chatice. Honra seja feita ao Drº. Rui Moreira pela coerência , consistência e até antevisão que pôs no seu discurso.
Referida a excepção aos demais recomendo a leitura deste magnífico Poema de José Gomes Ferreira e no qual mui humildemente me revejo.




(O Eugénio de Andrade espera-me num Café.
Atravesso as ruas do Porto - a cidade onde nasci - com os punhos cerrados de dor.)

Não nasci por acaso nestas pedras
mas para aprender dureza,
lume excedido,
coragem de mãos lúcidas.

Aqui no avesso da construção dos tempos
a palavra liberdade
é menos secreta.

Anda nos olhos da rua,
pega lanças aos gestos,
tira punhais das lágrimas,
conclui as manhãs.

E principalmente
não cheira a museu azedo
ou musgo embalado
pela chuva da boca dos mortos.

Começa nos cabelos das crianças
para me sentir mais nascido nestas pedras.

Porto
- cidade de luz de granito.

Tristeza de luz viril
com punhos de grito.


domingo, 24 de junho de 2007

Definição de SAUDADE

"QUANDO ESTIVERES LONGE,BEM LONGE E TE SENTIRES SÓ!
COMO NA CELA DE UM MONGE-COM O PORTO NO PENSAMENTO- LEMBRA-TE, NESSE MOMENTO, NESSE MOMENTO SEM FIM QUE A SAUDADE COMEÇA ASSIM!"




quinta-feira, 7 de junho de 2007

Para reflectir !

" A VIDA É UMA VITÓRIA TEMPORÁRIA QUE INEVITÁVELMENTE NOS RETIRARÁ A VIDA"

segunda-feira, 21 de maio de 2007

21 de maio de 2007 - 19h e 15mn


Tinha início o fim da insidiosa campanha 2006/2007.O mérito derrotava a incompetência.O empenho e dedicação teimou em contrariar a opinião fabricada.Cada vez que acontece sente-se que a Bastilha foi uma vez mais tomada.São postas em causa as "INSTITUIÇÕES".O povo invade praças e ruas e por umas horas em cada vez que sucede, esquece o centralismo,a descriminação e desigualdades, num país que alguns seráficamente dizem ser do Minho ao Algarve.Como diria o outro "Vocês sabem do que estou a falar"

quinta-feira, 17 de maio de 2007


"ANTES QUE O TEMPO ESTANQUE A VOZ E A VIDA, EU VOLTO A CANTAR ! NÃO COM AQUELE ASSENTO DE PUREZA PROMETIDO EM MEUS PRIMEIROS VERSOS. MAS SEMPRE COM A ÍNTIMA CERTEZA DESTA SINCERIDADE QUE LHES DOU, ESPELHO DE MIM MESMO, COISA QUE O TEMPO AINDA NÃO LEVOU!"

Lembram-me estes versos os idos anos sessenta, época em que os li e sei também que foram escritos por uma mulher.

Achei, como novato nestas andanças da blogosfera uma forma de sair deste "stress" que a criação deste blogue sempre acabou por suscitar e aproveitar para dar o passo seguinte: PUBLICAR!