sexta-feira, 21 de março de 2008

OS VAMPIROS


Sendo que "Liberdade não é apenas Rua e Carne mas também inteligência". Confuso por ocorrências sucessivas que me transportam aos vales profundos da Transilvânia. Assistindo impotente aos processos de "lobotomia" a que sujeitam este Povo, sempre expectante nos noticiários à espera que alguém os ajude a ter opinião na hora seguinte,tenho reflectido sobre a catadupa de homens de negro e gravatas monocolores que me invadem nos media e me dizem que o caminho ora seguido não tem retorno.

Com" ar sisudo", estes "chupa cabras" do século XXI, impingem-me a toda a hora as mesinhas de sempre. "Trazem no ventre" " despojos antigos". "São os mordomos do Universo todo, senhores à força ,mandadores sem Lei, Enchem as tulhas, bebem vinho novo, dançam a ronda, no pinhal do Rei"

É necessário retomar processos de equilíbrio, numa palavra. " O que faz falta é avisar a malta" !

É tempo de baralhar e dar de novo e um primeiro passo, porque não reler José Afonso?


No céu cinzento

Sob o astro mudo

Batendo as asas

Pela noite calada

Vêm em bandos

Com pés de veludo

Chupar o sangue

Fresco da manada


Se alguém se engana

Com seu ar sisudo

E lhes franqueia

As portas à chegada

Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada


A toda a parte

Chegam os vampiros

Poisam nos prédios

Poisam nas calçadas

Trazem no ventre

Despojos antigos

Mas nada os prende

Às vidas acabadas


São os mordomos

Do universo todo

Senhores à força

Mandadores sem lei

Enchem as tulhas

Bebem vinho novo

Dançam a ronda

No pinhal do rei


No chão do medo

Tombam os vencidos

Ouvem-se os gritos

Na noite abafada

Jazem nos fossos

Vítimas dum credo

E não se esgota

O sangue da manada


Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada

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